Quais serão as principais tecnologias emergentes de 2017?

Ano novo, tecnologias novas. Mais do que isso, 2017 se apresenta como um ano em que grandes promessas começam a tomar forma concreta, após algum tempo restritas à especulação ou ao desenvolvimento de protótipos iniciais. Certamente, nos próximos meses uma nova onda de dispositivos e aplicações devem finalmente emergir, saindo dos laboratórios de pesquisa de startups ou grandes empresas para adentrar as casas e escritórios de milhões mundo afora.

As transformações

O que se deve esperar é uma alta significativa nos graus de automação, descentralização e eficiência econômica com os quais convivemos no cotidiano pessoal ou profissional. Além disso, possibilidades antes distantes da realidade como a interação com objetos conectados à internet ou assistentes virtuais baseados em avançada inteligência artificial devem se tornar corriqueiras a um número cada vez maior de pessoas. Entenda a seguir um pouco mais sobre os principais agentes tecnológicos das transformações por vir.

Blockchain

Uma das principais tecnologias a passar por essa etapa de amadurecimento em 2017 é a blockchain. Criada para dar funcionamento à moeda digital Bitcoin, a blockchain pode ser entendida tanto como uma base de dados distribuída de forma particular por si só quanto como a tecnologia capaz de fazer com que as múltiplas cópias das informações nela armazenadas estejam em concordância entre si. Para entender melhor, tomemos o exemplo de seu funcionamento nas moedas digitais.

A blockchain substitui o que no sistema tradicional seria algo como uma grande planilha controlada por um único agente, dando conta de quantas unidades monetárias cada pessoa tem. É o que sempre fizeram até então quase que com exclusividades os grandes operadores de pagamentos ou instituições bancárias: atribuíram confiança ao processo de envio e recebimento de valores entre pessoas quaisquer, agindo como intermediários e cobrando uma taxa por isso.

Nas moedas digitais cujo funcionamento é assegurado pela criptografia, ao invés disso existe uma descentralização significativamente maior. Em sentido prático, há milhares de indivíduos ou servidores inteiros rodando uma mesma aplicação em suas máquinas, integrando-as às dos demais. É justamente o que permite gerir todas as operações sem que um usuário ou servidor em particular tenha mais poder do que os demais. Ou seja, ninguém tem controle individual sobre a rede, cuja harmonia e o adequado funcionamento são mantidos pela soma de esforço computacional de um conjunto mais amplo de usuários. Essas qualidades fazem com que o sistema torne proibitivamente caro a fraude, a censura ou o abuso de um usuário sobre os outros. Tudo funciona com o rigor matemático do código computacional aberto envolvido na operacionalização do protocolo.

Muito além das finanças

Embora originalmente concebida para armazenar informações e timestamps referentes à posse e ao histórico de transferência dos bitcoins entre um usuário e os demais, essa base de dados distribuída (blockchain) pode ser usada no próprio sistema para armazenar assinaturas digitais de documentos quaisquer, abrindo espaço para múltiplos usos. Tendência mundial. o uso para digitalização de certificados educacionais já tem seu representante nacional desenvolvido pela A Star, o Meu Diploma Digital.

Além disso, quando integrado a outros sistemas, a tecnologia blockchain assegura funcionalidades únicas como prova de existência, garantia de autenticidade, preservação de integridade de dados, dentre outras. Pensando nisso, a A Star também disponibiliza ao mercado de forma pioneira uma plataforma de ECM (gestão corporativa de documentos) integrada ao protocolo Bitcoin. Outros usos que devem emergir envolvem integração de meios de pagamento a objetos inteligentes a partir da internet das coisas, digitalização de múltiplos ativos financeiros e emergência de serviços para remessas internacionais e pagamentos digitais mais inovadores e competitivos.

Internet das Coisas e Contratos Inteligentes

Comentada e teorizada há décadas, a integração de conectividade a objetos de nosso dia a dia avançou de forma importante no ano passado. Entretanto, 2017 deve marcar o começo da massificação no acesso à internet das coisas. Não apenas em escala global deve se tornar cada vez mais comum ver geladeiras ou máquinas de lavar conectadas à internet, como o avanço na programabilidade de tais objetos inteligentes deve conduzir cenários antes factíveis somente em filmes de ficção científica.

Quem deve conduzir a popularização disso são as plataformas abertas para criação e manutenção de contratos inteligentes via blockchain, como Ethereum e Rootstock. Uma máquina vendedora de refrigerantes pode representar a forma rudimentar de “contrato inteligente”, dado que eu tenho certeza que ao depositar uma nota nela recebei a lata do refrigerante escolhido em troca. Uma transação simples, porém que a partir da automação tem custos operacionais drasticamente reduzidos, bem como a eliminação de riscos humanos (como o cálculo do troco!). A mesma lógica deve fazer com que em 2017 comecem a surgir mercados inteiros de objetos inteligentes conversando entre si.

Programáveis a partir de código na forma de contratos inteligentes (mantido de forma descentralizada e acessível a partir de uma blockchain aberta), uma geladeira ou máquina podem receber fundos na forma de moedas digitais que passam a ser delas. No sentido de que o próprio objeto poderá tomar decisões autônomas, condicionado pelas variáveis que lhe foram atribuídas por seu dono original, como por exemplo encomendar uma marca específica de sabão em pó ou cerveja, uma vez que o estoque interno dessas mercadorias tenha acabado.

Cenário Nacional

No Brasil, o BNDES e o MCTI já trabalham em parceria com a consultoria global McKinsey e a PNM Advogados para construir o Plano Nacional de Internet das Coisas, buscando fomentar o desenvolvimento de infra-estrutura de base para que a tecnologia possa efetivamente florescer país.

Machine learning: Chatbots e assistentes virtuais

Popularizadas a partir de aplicações como o Google Now ou de verdadeiras personalidades virtuais como Alexa, Cortana ou Siri, as ferramentas de assistência pessoal cresceram significativamente em usabilidade ao longo dos dois últimos anos. Entretanto, 2017 será o ano em que a tendência de machine learning finalmente se materializará de forma radical na vida das pessoas comuns. Até então com seus usos mais significativos restritos a testes internos em  laboratórios de pesquisa e desenvolvimento, inteligências artificiais adaptativas começam a tomar um número cada vez maior de gadgets e aplicativos. Esse período de prototipagem dos dois anos passados funcionou justamente para as bases de dados que alimentam tal aprendizado.   

É a partir dele que temos acesso a toda sorte de conveniência que podem proporcionar, muitas vezes de maneira surpreendente, dado que o que caracteriza a ação dessas formas mais avançadas de inteligência artificial é justamente a capacidade de extrapolar o que foram originalmente programadas para fazer. Ou seja, trata-se de tecnologias generativas, cujas possibilidades não podem ser previstas. Embora isso possa trazer problemas, especialmente quanto à privacidade do usuário e a segurança digital dos dados compartilhados para o adequado funcionamento das ferramentas, a adoção delas deve crescer exponencialmente já nos primeiros meses do ano. Sucessivos recordes de venda e utilização de gadgets como o Echo da Amazon, bem como a implementação de chatbots (robôs que se comunicam por texto para prestar serviços ao usuário no lugar de um ser humano) em múltiplos aplicativos são um claro indicativo disso. Se a vida de fato imitar a arte, o roteiro que nos guiará neste ano certamente será uma mistura do clássico The Matrix com o vanguardista Her.


Nathalia Nicoletti
Co-Fundadora

Profissional com formação administrativa e jurídica,

mais de 10 anos de experiência B2B/B2C
e Relações Institucionais

 

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