Blockchain: uma evolução para o agronegócio brasileiro

Existem diferentes possibilidades de fraude no setor do agronegócio, não só no Brasil, mas em todo o mundo. Um dos mais emblemáticos casos brasileiros foi descoberto recentemente pela operação Carne Fraca, da Polícia Federal. A instituição desvendou um esquema de corrupção entre fiscais e frigoríficos para burlar controles sanitários. Mas ele não foi o único. Em 2017, o Ministério da Agricultura retirou 800 mil litros de azeite de oliva do mercado com indícios de fraude, envolvendo 84 empresas brasileiras. Também em 2017, as fraudes no comércio do café geraram um rombo de R$100 milhões ao Espírito Santo.

Problemas como estes podem causar enormes prejuízos para toda a cadeia e gerar perdas, inclusive, para a economia brasileira. Afinal, o setor representa cerca de 23% do PIB do país, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária.

A tecnologia blockchain pode ajudar a solucionar essas questões, pois permite acompanhar e registrar, em um banco de dados distribuído, de forma segura e imutável, todas as etapas de um produto – desde o plantio de uma safra de milho até a chegada do produto final ao supermercado, por exemplo. Outra forma de solidificar essas cadeias de distribuição é certificar, por meio de blockchain, todos os selos, certificações e exigências socioambientais dos fornecedores, diretos e indiretos. Isso evita a participação de companhias em situação irregular, envolvidas com casos de desmatamento, trabalho escravo ou mesmo a falta de certificados sanitários.

Essa tecnologia também trabalha com o conceito de contratos inteligentes, os smart contracts, que são acordos programados em código e auto executáveis. Ou seja, se, no momento do recebimento do produto, algo estiver errado com a nota fiscal, com as quantidades ou com as certificações sanitárias, por exemplo, a própria rede impede o recebimento da mercadoria e aciona os procedimentos e participantes envolvidos, automatizando ações, ganhando tempo e reduzindo custos e riscos. A ideia é que toda a cadeia do agronegócio esteja envolvida nesses processos, mas ainda há um caminho árduo – e que depende de uma infinidade de envolvidos – para chegarmos a esse ponto.

Quando atrelada a dispositivos inteligentes, a blockchain torna o processo ainda mais resistente à fraudes, porque deixa de depender e confiar em um operador humano para obter informações. Para exemplificar: caso um caminhão frigorífico com dispositivo de controle de temperatura tenha problemas na refrigeração e, consequentemente, na conservação dos alimentos, a arquitetura de blockchain pode registar essa informação e automaticamente bloquear a continuidade do processo, por meio de um contrato inteligente que gerencie as condições mínimas necessárias. Por isso, dizemos que a Internet das Coisas (ou IoT, na sigla em inglês) casa perfeitamente com a blockchain. São sensores, leitores, drones e outros equipamentos capazes de apoiar a transparência e confiabilidade dos dados.

Ao ter todo o caminho do produto registrado, com informações confiáveis e provenientes de IoT, é possível, ainda, disponibilizar para o consumidor informações sobre a origem de determinada leguminosa, se houve uso de agrotóxicos, se as sementes são transgênicas, entre outras informações. Isso garante muito mais transparência a todo o processo e faz com que o cliente final sinta segurança no que ele consome e nos locais onde ele compra seus alimentos, além de ser um grande diferencial competitivo e de qualidade para produtos de exportação.

No fim das contas, blockchain pode transformar a maneira como toda a cadeia do agronegócio se relaciona – do produtor ao supermercadista – assim como garantir a confiança do consumidor nos produtos e marcas que adquire, além do ganho de confiança para os produtos de exportação, braço tão forte da economia do país.


Nathalia Nicoletti
Co-Fundadora

Profissional com formação administrativa e jurídica,

mais de 10 anos de experiência B2B/B2C
e Relações Institucionais
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